21 de julho - 2017  

Os tipos de cimento corretos para cada obra

Na hora de construir, o cimento é um dos principais materiais para se fazer a maioria das estruturas em uma obra. Usado desde os tempos antigos pelos romanos, gregos e egípcios, os vários tipos de cimento são responsáveis por grande parte do progresso de todo o mundo.

Hoje em dia, com a evolução da química e os avanços tecnológicos na área de engenharia civil, já existem vários tipos de cimento para as muitas necessidades de cada obra. Conhecer cada um deles é muito importante, pois assim você terá a certeza de construir uma edificação segura e que não apresentará problemas estruturais no futuro.

Foi pensando nisso que separamos os principais tipos de cimento para mostrar pra você neste artigo. Vamos esclarecer quais as vantagens que cada um deles possui, suas especificações técnicas e onde a sua utilização é mais recomendada. Continue lendo para tirar todas as suas dúvidas!

Principais tipos de cimento

Cimento CP II

O cimento CP II também conhecido como cimento Portland composto pela combinação de outro material, além do clínquer (principal matéria prima do cimento, formada basicamente por calcário e argila) e do gesso na sua fórmula. Vendido em três versões, esse é o cimento mais encontrado no mercado brasileiro.

São elas:

Cimento CP II-E

Tem na sua composição, a escória de alto-forno, que é o resíduo da produção de ferro-gusa nas usinas siderúrgicas.

Esse tipo de cimento é indicado para pisos, lajes e pilares e também é recomendado para meios agressivos, como os que sofrem ataque de maresia, por exemplo.

Cimento CP II-Z

Contém adição de material pozolânico, que é formado pelas cinzas de usina térmicas e outras cinzas, tornando-o menos permeável e, assim, ideal para obras subterrâneas, inclusive as marítimas.

Cimento CP II-F

Além do clínquer e gesso, tem materiais carbonáticos ou “filler” em sua composição.

Este tipo de cimento é um dos mais populares por ser recomendado para ser usado desde estruturas em concreto armado até argamassas de assentamento e revestimento. Porém, não é indicado para aplicação em meios muito agressivos.

A composição química do Cimento CP II é ideal para a fabricação de concreto usinado. Imagem: rjcindia.com

Suas várias possibilidades de uso também o transformou em um dos tipos de cimentos mais escolhidos por engenheiros em grandes construções, como prédios e condomínios, já que pode ser usado em todas as fases da obra e em todos os serviços realizados.

As principais aplicações deste tipo de cimento são:

  • Concretos estruturais e convencionais (lajes, vigas e pilares);
  • Argamassas (chapisco e revestimentos);
  • Concreto para pisos industriais e pavimentos;
  • Fibrocimento (caixas-d’água e telha)

Cimento CP III

O cimento portland de alto-forno contém maior quantidade de escória se comparado ao CP II E, o que lhe confere propriedades como: menor liberação de calor ao reagir com a água e alta resistência a ambientes mais agressivos onde há presença de ataque de sais e outros produtos químicos, sendo recomendado tanto para obras de grande porte e agressividade (barragens, fundações de máquinas, obras em ambientes agressivos, tubos e canaletas para condução de líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais, concretos com agregados reativos, obras submersas, pavimentação de estradas, pistas de aeroportos, etc) como também para aplicação geral em argamassas de assentamento e revestimento, estruturas de concreto simples, armado ou protendido, etc.

Chamado também de cimento ecologicamente correto, já que utiliza menos clínquer em sua composição e, consequentemente, além de poupar as jazidas naturais, emite menos CO2 ao ser fabricado.

Por ter uma baixa liberação de calor e ter uma pega mais lenta, é um concreto largamente utilizado em usinas de concreto, já que tem seu tempo de pega longo, o que proporciona um bom tempo de trabalhabilidade no lançamento do concreto na laje e demais peças estruturais, além de atingir altas resistências finais.

Cimento CP IV

Apesar de ser utilizado em obras mais complexas, este tipo de cimento também pode ser aplicado em etapas mais simples como o enchimento de colunas. Imagem: Construindoumsobrado.

Assim como seu nome já diz, o cimento CP IV, também conhecido como cimento pozolânico, tem mais adição desse tipo de material pozolânico na sua formulação.

Por produzir um concreto menos permeável, esse cimento costuma ser aplicado na concretagem de grandes peças, na construção de barragens, estruturas em contato com o mar (como pontes) e em ambientes com muita umidade (como galerias de esgoto e tubulações por baixo da terra). Mas também pode ser usado em obras menos complexas como fundações, vigas, lajes, pilares e na fabricação de argamassa para assentamentos e contrapisos.

Sua principal característica é maior durabilidade das estruturas e peças concretadas com ele. O cimento CP IV pode ser usado para fazer:

  • Concretos estruturais e convencionais (lajes, vigas e pilares);
  • Argamassas (assentamentos e contrapisos);
  • Fundações e concretagem de grandes peças.

Cimento CP V ARI (Alta Resistência Inicial)

Esse tipo de cimento é ideal para fazer cobogós de concreto. Imagem: TuaCasa.

Sua composição básica de clínquer + gesso quase não possui materiais de adições. Esse tipo de cimento tem secagem ultrarrápida, sendo indicado para quem procura um tempo de desforma menor (24h ou menos), dependendo da peça a ser concretada e de sua aplicação.

Esse cimento é muito usado em indústrias de artefatos de cimento e pré-moldados (pavers, blocos, postes, manilhas, galerias, etc.), onde há necessidade de desforma em poucos dias ou até em horas.

O concreto confeccionado com essa classe de cimento pode chegar a altas resistências em apenas 24 horas da sua aplicação. Assim, por sua alta resistência, é recomendado para a confecção de argamassas e pisos especiais, estruturas pré-moldadas de grande porte e até pontes.

O cimento CP V ARI também é usado em peças de criação artística por ter um período de secagem curto. Mais vantajoso para o artista, ele garante perfeita integridade estrutural das peças construídas e evita marcas e problemas que podem surgir durante a secagem do concreto, deixando o resultado final mais parecido com o projeto inicial.

Obras de arte em cimento. Imagem: Ecopore.

Principais aplicações deste tipo de cimento:

  • Concretos estruturais;
  • Concretos arquitetônicos;
  • Concreto para pisos especiais;
  • Pré-moldados (postes, lajes, vigas e pilares para obras de grande porte);
  • Artefatos de concreto (blocos, telhas, pavers);
  • Obras de arte especiais.

Cimento resistente a sulfatos (RS)

O RS é muito eficiente em construções que tenham muito contato com a água e umidade, como a Ponte Rio-Niterói, por sua grande resistência e impermeabilidade.

A sigla “RS” que pode vir ao final de qualquer tipo de cimento significa que aquele produto, além de suas características básicas, possui uma resistência adicional à meios mais agressivos, tais como: esgoto de águas servidas, água do mar, gases emitidos por indústrias, entre outros.

Qualquer um dos tipos que comentamos nesse texto, então, pode conter essa sigla, desde que respeite as características técnicas exigidas por norma.

Principais aplicações dos cimentos que tem a sigla RS:

  • Manilhas e galerias de esgoto e águas pluviais;
  • Píer e estruturas próximas ao mar;
  • Prédios e estruturas em zonas industriais.

Para vários tipos de obra, vários tipos de cimento

Por fim, cada aplicação requer um cimento diferente, seja pelo objetivo da obra, seja pelas necessidades dela em relação à durabilidade e até prazos de entrega. Por isso, fique sempre atento aos tipos corretos de cimento antes de iniciar uma obra.

Não se esqueça também de verificar a dosagem ideal dos materiais que compõem o concreto ou a argamassa. E, além disso, é fundamental que sejam feitos, da maneira correta, o adensamento e a cura de argamassas e concretos. Uma cura ou adensamento mal feito pode causar sérios problemas na obra, tais como baixas resistências, trincas e fissuras, corrosão de armadura, etc.

Agora que você já sabe escolher os tipos de cimento para cada obra, que tal compartilhar nas redes sociais com seus parceiros de obra?